MT · MS
18/04/26 · 08:03·PT|EN
Pantanal Oficial
🌤️Corumbá27°C
Batayporã
Pantanal

Estudo revela como medicamentos e pesticidas estão contaminando águas do Pantanal

Um estudo desenvolvido pelos pesquisadores Bruno do Carmo Almeida e Carla Daniela de Lima, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), identificou a presença de contaminantes emergentes, como medicamentos, hormônios e pesticidas em águas que abastecem o Pantanal. A pesquisa reforça a preocupação com os impactos dessas substâncias em um dos biomas mais sensíveis do planeta.

Redação Pantanal Oficial
16 de abril de 2026
Estudo revela como medicamentos e pesticidas estão contaminando águas do Pantanal
Foto: Acervo Celbe, com edições de IA

Contaminação invisível avança pela bacia hidrográfica
A pesquisa analisou amostras de água coletadas em pontos estratégicos de rios e cursos d’água da bacia do Alto Paraguai, região que funciona como principal sistema de drenagem do Pantanal. Mesmo fora da planície alagável, essa área exerce influência direta sobre o bioma, já que toda a água escoa em direção ao Pantanal durante o ciclo hidrológico. O trabalho identificou a presença de substâncias que não são visíveis a olho nu e que, em muitos casos, não possuem odor ou alteração perceptível na água, o que reforça o caráter silencioso da contaminação.

Compostos vêm do uso cotidiano e da atividade agrícola
Os contaminantes detectados incluem resíduos de antibióticos, anti-inflamatórios, hormônios sintéticos e pesticidas amplamente utilizados na produção agrícola.

Segundo os pesquisadores, essas substâncias chegam ao ambiente por diferentes caminhos: pelo descarte doméstico de medicamentos, pelo esgoto urbano e pelo escoamento superficial de áreas agrícolas. Em muitos casos, os sistemas de tratamento não são capazes de remover completamente esses compostos.

Pantanal pode receber carga acumulada de poluentes
Embora a coleta tenha ocorrido na bacia do Alto Paraguai, os pesquisadores destacam que o Pantanal é o destino final desse sistema hídrico. Isso significa que qualquer contaminante presente nos rios da região pode ser transportado ao longo do tempo até a planície alagável. Durante o período de cheias, essa conexão se intensifica, permitindo que a água e os compostos nela dissolvidos se espalhe por grandes áreas inundadas, aumentando o potencial de impacto ecológico.

Efeitos biológicos preocupam pesquisadores
Os compostos identificados pertencem ao grupo dos chamados contaminantes emergentes, substâncias que ainda não são amplamente reguladas, mas que possuem atividade biológica significativa.

Os pesquisadores explicam que muitos desses elementos atuam como desreguladores endócrinos, interferindo no sistema hormonal de organismos aquáticos. Isso pode afetar processos essenciais como reprodução, crescimento e comportamento de espécies de peixes e outros animais.

Impactos podem se acumular ao longo do tempo
Outro ponto destacado no estudo é o efeito cumulativo dessas substâncias. Mesmo em baixas concentrações individuais, a exposição contínua e combinada a diferentes compostos pode gerar impactos mais complexos no ecossistema.

Os autores também alertam para a possibilidade de efeitos indiretos na saúde humana, especialmente relacionados à resistência bacteriana e à presença de resíduos químicos na cadeia alimentar.

Saneamento e uso do solo estão no centro do problema
O estudo aponta que o padrão de contaminação está diretamente ligado à ocupação do território. Regiões urbanizadas tendem a concentrar resíduos farmacêuticos e produtos de higiene pessoal, enquanto áreas de produção agrícola contribuem com pesticidas e fertilizantes. Esse cenário evidencia a dependência de infraestrutura de saneamento mais eficiente e de práticas de manejo mais controladas no uso de substâncias químicas.

Pesquisadores alertam para lacunas de monitoramento
Apesar dos resultados, os pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso destacam que ainda há pouca produção científica contínua sobre contaminantes emergentes na região. A ausência de monitoramento sistemático impede a compreensão completa da extensão do problema e dificulta a criação de políticas públicas mais eficazes para mitigação dos impactos.

Compartilhe esta matéria
Telegram
Siga-nos: