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Acanthoscurria geniculata (Tarântula-joelho-branco)

A tarântula-joelho-branco é uma das maiores aranhas do Pantanal, com pernas pretas marcadas por anéis brancos e temperamento defensivo.

Redação Pantanal Oficial
01 de abril de 2026
Acanthoscurria geniculata (Tarântula-joelho-branco)

Acanthoscurria geniculata (Tarântula-joelho-branco)

Introdução

A Acanthoscurria geniculata, popularmente conhecida como Tarântula-joelho-branco, é uma das maiores e mais impressionantes aranhas do gênero Acanthoscurria e uma presença notável na fauna aracnídea do Pantanal brasileiro. Esta tarântula, pertencente à família Theraphosidae, é caracterizada por sua coloração vibrante e tamanho considerável, o que a torna um espécime de grande interesse tanto para aracnólogos quanto para entusiastas da vida selvagem. Sua robustez e hábitos de caça a posicionam como um predador importante em seu ecossistema, contribuindo para o controle populacional de insetos e pequenos vertebrados.

No contexto do Pantanal, a Acanthoscurria geniculata desempenha um papel ecológico crucial, atuando como um elo na intrincada teia alimentar da região. Sua presença indica um ambiente relativamente saudável e com disponibilidade de presas. Embora não seja considerada uma espécie ameaçada, a compreensão de sua biologia e ecologia é fundamental para a conservação da biodiversidade pantaneira, especialmente diante das pressões ambientais que afetam este bioma único.

Esta tarântula, apesar de seu tamanho intimidador e aparência robusta, é geralmente dócil em cativeiro, embora em seu ambiente natural possa exibir comportamentos defensivos. A beleza de suas patas com “joelhos” brancos contrasta com o corpo escuro, tornando-a uma das tarântulas mais procuradas por criadores e colecionadores, o que, por sua vez, levanta questões sobre o manejo e a proteção das populações selvagens.

Classificação Científica

Categoria Classificação
Reino Animalia
Filo Arthropoda
Classe Arachnida
Ordem Araneae
Família Theraphosidae
Gênero Acanthoscurria
Espécie Acanthoscurria geniculata
Nome popular Tarântula-joelho-branco

Descrição

A Acanthoscurria geniculata é uma tarântula de grande porte, com as fêmeas atingindo um comprimento de corpo de até 8-10 cm e uma envergadura de pernas que pode ultrapassar os 20 cm. Os machos são geralmente menores e mais esbeltos, com um comprimento de corpo de cerca de 6-7 cm e pernas proporcionalmente mais longas. A coloração geral do corpo é predominantemente preta a marrom-escura, com uma densa cobertura de pelos avermelhados ou marrom-avermelhados no abdômen e nas pernas.

A característica mais distintiva da espécie, que lhe confere o nome popular “joelho-branco”, são as faixas brancas ou amareladas bem marcadas nas articulações patelo-tibiais (os “joelhos”) de todas as pernas. Essas marcações são mais proeminentes em indivíduos jovens e podem se tornar ligeiramente menos contrastantes em adultos mais velhos, embora permaneçam visíveis. O cefalotórax é geralmente liso e de cor preta brilhante, enquanto o abdômen é coberto por pelos urticantes, que podem ser liberados como mecanismo de defesa. O dimorfismo sexual, além do tamanho, é evidente na presença de ganchos tibiais nos machos adultos, utilizados para segurar as quelíceras da fêmea durante a cópula, e nos pedipalpos mais bulbosos, que contêm os órgãos copulatórios (êmbolos).

Distribuição Geográfica

A Acanthoscurria geniculata é nativa da América do Sul, com sua distribuição abrangendo principalmente o Brasil. No Brasil, é encontrada em diversas regiões, com uma notável presença no bioma Pantanal. Dentro do Pantanal, a espécie pode ser encontrada em sub-regiões como o Pantanal do Nabileque, Pantanal do Miranda, Pantanal de Aquidauana e Pantanal do Paiaguás, abrangendo os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além do Pantanal, sua ocorrência se estende a outras áreas de cerrado e florestas subtropicais no Brasil, como partes do Centro-Oeste e Sudeste. Há registros também em países vizinhos, embora o Brasil seja considerado o centro de sua distribuição.

Habitat

No Pantanal, a Acanthoscurria geniculata habita uma variedade de ecossistemas, demonstrando certa adaptabilidade. Prefere áreas com solo úmido e vegetação densa que ofereça abrigo e locais para escavação de tocas. É comumente encontrada em matas ciliares ao longo de rios e córregos, onde a umidade é mais constante e a vegetação arbórea e arbustiva oferece proteção contra predadores e variações térmicas. Também pode ser encontrada em áreas de capões de mata e cordilheiras, que são elevações de terreno que permanecem secas durante as cheias.

Embora menos comum em áreas abertas, pode ocasionalmente ser encontrada em campos e áreas de cerrado pantaneiro, especialmente em locais com alguma cobertura vegetal ou rochas que permitam a construção de tocas. A disponibilidade de tocas pré-existentes, como buracos de roedores ou fendas naturais, é um fator importante na escolha do habitat, pois a Acanthoscurria geniculata é uma aranha fossorial, ou seja, passa grande parte de sua vida em tocas subterrâneas, que são forradas com teia para maior estabilidade e proteção.

Comportamento

A Acanthoscurria geniculata é predominantemente noturna e fossorial. Durante o dia, permanece escondida em sua toca, emergindo ao anoitecer para caçar. Sua estratégia de caça é a emboscada: ela espera pacientemente na entrada de sua toca ou em suas proximidades por presas que passem ao alcance. Não constrói teias para captura de presas, mas utiliza fios de seda para forrar a toca e para detectar vibrações que indicam a presença de potenciais alimentos.

Em termos de defesa, esta tarântula possui dois mecanismos principais. O primeiro é a liberação de pelos urticantes do abdômen, que são irritantes para a pele e mucosas de predadores. O segundo, em caso de ameaça mais direta, é a postura de ataque, levantando as pernas dianteiras e exibindo as quelíceras, seguida de uma picada se a ameaça persistir. Embora sua picada seja dolorosa devido ao tamanho das quelíceras, o veneno não é considerado clinicamente significativo para humanos, causando apenas dor localizada, inchaço e, em alguns casos, cãibras musculares. Não é uma espécie territorial no sentido de defender grandes áreas, mas protege vigorosamente sua toca. Não há relatos de migração em massa para esta espécie.

Alimentação

A Acanthoscurria geniculata é um predador oportunista e generalista. Sua dieta consiste principalmente de insetos grandes, como grilos, gafanhotos, baratas e besouros. Também pode se alimentar de outros artrópodes, incluindo outras aranhas e escorpiões. Devido ao seu tamanho, indivíduos adultos são capazes de predar pequenos vertebrados, como roedores, lagartos, sapos e até mesmo filhotes de aves que porventura caiam no chão ou se aproximem de sua toca.

A caça é realizada por emboscada. A tarântula detecta a presa através de vibrações no solo ou no ar, utilizando os pelos sensoriais em suas pernas. Uma vez que a presa está ao alcance, a Acanthoscurria geniculata a ataca rapidamente, injetando veneno através de suas quelíceras. O veneno paralisa e liquefaz os tecidos internos da presa, que é então consumida externamente através da sucção dos fluidos corporais. No Pantanal, sua dieta contribui para o equilíbrio ecológico, controlando populações de insetos e pequenos vertebrados.

Reprodução

O ciclo de vida da Acanthoscurria geniculata começa com a cópula, que geralmente ocorre após a muda final do macho, quando ele atinge a maturidade sexual. O macho, ao encontrar uma fêmea receptiva, realiza um ritual de cortejo que envolve batidas rítmicas com as pernas e pedipalpos. Após a cópula, a fêmea produz um saco de ovos (ooteca) que pode conter de 300 a 1000 ovos, dependendo do tamanho e da idade da fêmea, bem como da disponibilidade de alimento.

A fêmea protege o saco de ovos vigorosamente, carregando-o consigo ou mantendo-o dentro de sua toca. A incubação dura algumas semanas a meses. Após a eclos

Referências

[1] IUCN. (2022). Acanthoscurria geniculata. The IUCN Red List of Threatened Species. Disponível em: https://www.iucnredlist.org/species/66048102/66048105 [2] BERTANI, R. (2000). Revision, cladistic analysis, and zoogeography of Acanthoscurria (Araneae, Mygalomorphae, Theraphosidae). Journal of Arachnology, 28(1), 26-72. [3] ALHO, C. J. R. (2008). Biodiversidade do Pantanal. Editora UNIDERP. [4] PÉREZ-MILES, F.; LUCAS, S. M.; SILVA JR., P. I.; BERTANI, R. (1996). Systematic revision and cladistic analysis of Acanthoscurria Ausserer (Araneae: Theraphosidae: Theraphosinae). Journal of Arachnology, 24(3), 321-368. [5] EMBRAPA PANTANAL. (2010). Aranhas do Pantanal: Guia de Campo. Embrapa Pantanal. [6] SOS PANTANAL. (2024). A biodiversidade de invertebrados no Pantanal. SOS Pantanal. Disponível em: https://sospantanal.org.br/biodiversidade-de-invertebrados-no-pantanal/

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