Uma década de ciência e conservação
O Projeto Onças do Pantanal completa uma década de atividades com um marco impressionante: mais de 300 onças-pintadas foram identificadas individualmente através de seus padrões únicos de manchas.
A iniciativa, que começou em 2016 com apenas dois pesquisadores e câmeras-trap emprestadas, hoje conta com uma equipe de 15 cientistas e mais de 200 câmeras distribuídas por uma área de 1.500 km² no Pantanal norte.
Como funciona a identificação
Cada onça-pintada possui um padrão de rosetas (manchas) único, semelhante a uma impressão digital humana. Os pesquisadores utilizam:
- Câmeras-trap posicionadas em trilhas e margens de rios
- Software de reconhecimento de padrões com inteligência artificial
- Banco de dados com fotos de ambos os lados do corpo
- Monitoramento por GPS em indivíduos selecionados
Descobertas importantes
Ao longo de dez anos, o projeto revelou informações cruciais sobre a ecologia da espécie:
- Onças-pintadas do Pantanal são 30% maiores que as de outros biomas
- A dieta inclui mais de 85 espécies diferentes de presas
- Machos adultos possuem territórios de até 100 km²
- Fêmeas têm, em média, 2 filhotes por ninhada
“Cada onça tem sua personalidade. Algumas são curiosas e se aproximam das câmeras, outras são extremamente esquivas. Conhecê-las individualmente nos permite entender melhor a dinâmica populacional”, conta a bióloga Dra. Ana Lúcia Campos.
Próximos passos
O projeto planeja expandir sua área de monitoramento e implementar novas tecnologias de rastreamento por satélite, com o objetivo de mapear os corredores ecológicos utilizados pelas onças entre o Pantanal e biomas adjacentes.




